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Alumiando o pensamento

Falando em cerrado e em Coromandel, é interessante salientar que a população do Alto Paranaíba tem sotaque e palavrear bastante característicos. Tudo é bem diferente de quem mora na capital e as pessoas pronunciam expressões do tempo do onça ou nunca utilizadas por aqui.

Quando criança, passando férias por lá, especialmente quando ficava na fazenda, me assustava ouvir verbos como apear, arribar, alumiar e muitos outros que não me recordo agora. Por vezes não sabia mesmo o que queriam me dizer e, na minha ignorância, por vezes achava que aquela linguagem encontrava-se em desacordo com a norma do português.

Mais tarde, estudando e lendo mais e mais, compreendi que, em verdade, não há um português errado ou correto. Há, sim, a norma culta, que deve obedecer aos padrões gramaticais e é utilizada em ocasiões específicas, mas o português – definitivamente – não se resume a ela e as diferentes regiões e/ou populações possuem a sua linguagem particular, que deve ser respeitada.

Pois então. Na nossa última viagem, ouvimos por vezes o verbo alumiar. Chegando a Beagá, continuei a leitura de Anna Karenina e, pra minha surpresa, em uma tradução não muito recente, lá estava ele. Eu não imaginava, sinceramente, que alumiar é verbo regular da 1ª conjugação. Aproveitei e verifiquei apear e arribar e também são, isto mesmo, verbos constantes da norma culta. O que quero dizer: o que eu, por vezes, achei fosse “errado”, não era. E o meu desconhecimento, minha ignorância, fora fruto de algum preconceito.

E ainda que não fossem verbos da norma culta, vale dizer, estariam inseridos em um contexto próprio, ou seja, em nada desqualificariam seus falantes. Hoje, claro, tenho uma visão mais crítica e a mim me agrada bastante conhecer um pouco mais da riqueza de nossa lingua.

Enfim, em Coromandel, por várias razões, ficamos um pouco mais ricos em matéria de lingua portuguesa, o que também foi muito bacana.

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