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Pequena biografia de Dostoiévski

Dostoiévski nasceu em 30 de outubro de 1821, num hospital para indigentes onde seu pai trabalhava como médico. Ele era o segundo dos sete filhos nascidos do casamento entre Mikhail Dostoievski e Maria Fiodorovna. A mãe do escritor morreu em 1837, de tuberculose e, no ano seguinte, Fiódor ingressa na Escola de Engenharia Militar de São Petersburgo, onde aprofunda conhecimentos das literaturas russa, francesa e outras. Em relação a seu pai, vários textos dizem que foi assassinado em 1838, pelos próprios servos de sua propriedade rural, que o consideravam autoritário. Alguns biógrafos afirmaram que foi quando Dostoievski teve sua primeira crise epilética. Joseph Frank, famoso biógrafo de Dostoiévski, diz haver provas de que o pai dele teria morrido, na verdade, de um AVC e que os boatos em contrário foram propagados para diminuir o preço da propriedade dos Dostoiévski, pela qual um vizinho mostrava interesse. Tal hipótese é pouco aceita pelo que percebi de minhas buscas e leituras.

Em 1844, com apenas 23 anos e pais já falecidos, abandona a carreira militar e escreve seu primeiro romance, Gente Pobre, publicado em 1846, com grande recepção da crítica.  Desde esta época começa a contrair algumas dívidas e a sofrer de uma enfermidade nervosa, frequentemente confundida com sua epilepsia, que começou a se manifestar muitos anos mais tarde.

É acusado de  frequentar círculos revolucionários de Petersburgo e, em 1849  – com 28 anos -, é preso e condenado à morte. No último minuto, entretanto, teve a pena comutada para 4 anos de trabalhos forçados, seguidos por prestação de serviços como soldado na Sibéria. Tal experiência foi retratada no livro Recordação da casa dos mortos (publicado em 1961), uma coleção de fatos e eventos ligados à vida nestas prisões.

Façamos um adendo para explicar que Nicolau I, imperador Russo da época, era extremamente conservador e seu reinado foi marcado por uma grande expansão territorial, repressão de dissidentes, estagnação econômica, políticas ruins de administração, burocracia e guerras frequentes. Enquanto isso,  a Europa ocidental estava em polvorosa. Era justamente o período das Revoluções de 1848 (Primavera dos povos), série de revoluções que eclodiram principalmente em razão de regimes governamentais autocráticos, de crises econômicas e da falta de representação política das classes médias, dentre outras.

Influenciados pelas Revoluções de 1848, um grupo de intelectuais progressistas (dentre eles Dostoiévski) começou a se reunir e, apesar de não terem um ponto de vista uniforme sobre questões políticas (o organizador era Mikhail Petrashevski, um seguidor do socialista utópico francês Charles Fourier), a maior parte deles se opunha à autocracia do Tsar e ao sistema de semi-servidão. Este grupo ficou conhecido como o Círculo Petrashevski e foi oficialmente proibido pelo governo do czar Nicolau I, que o confundiu com uma organização subversiva revolucionária. O círculo foi banido em 1849 a seu mando, seus membros foram detidos e alguns fuzilados.

O Círculo Petrashevski era dedicado principalmente à discussão das condições de vida na Rússia, centrada nas obras da imensa biblioteca de obras proibidas de Petrashevsky, obras que, segundo os registros da sociedade, Dostoiévski consultou em várias ocasiões. Na verdade, Dostoiévski não ia às reuniões do Círculo há mais de três meses quando foi preso, e participava realmente de uma organização radical liderada por Nikolai Spechniev, radical que se tornaria o protótipo para Nikolai Stavróguin, protagonista de Os Demônios. Essa organização, porém, não foi descoberta pelas autoridades e sua existência só veio a público em 1922.[17]

Em 23 de abril de 1849, ele e os outros membros do Círculo Petrashevski foram presos. Dostoiévski passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo até que, em 22 de dezembro, a sentença de morte por fuzilamento foi anunciada. Em 23 de dezembro, os membros foram levados ao lugar da execução, e três membros do grupo, inclusive o próprio Petrashevski, foram amarrados aos postes em frente ao pelotão. Dostoiévski era um dos próximos, e se lembrou, posteriormente, de ter dividido seu tempo para se despedir dos amigos e refletir sobre sua vida. Quando disse a Nikolai Spechniev, que se encontrava atrás dele, “Nós estaremos com Cristo”, o revolucionário respondeu “Um pouco de poeira”. Antes da ordem para o fuzilamento, chegou uma ordem do Czar para que a pena fosse comutada para prisão com trabalhos forçados e exílio. Depois os membros souberam que a ordem havia sido assinada há dias, mas que o czar exigira a falsa execução como uma punição a mais. Dostoiévski recebeu os grilhões e partiu para o exílio na noite de Natal. Todos esses fatos foram contados pelo escritor em uma carta a seu irmão Mikhail Dostoiévski, na qual ele faz várias referências à obra “Os Últimos Dias de um Condenado à Morte”, de Victor Hugo.”

A condenação, enfim, ocorreu por Dostoievski ter supostamente conspirado contra Nicolau I. A partir de então começou a escrever Memórias da Casa dos Mortos, baseado em suas experiências como prisioneiro; ele teve condições de descrever com grande autenticidade as condições da vida nas prisões e sobre o caráter dos condenados que nelas viviam. Interessante que os condenados eram proibidos de escrever memórias e relatos, então Dostoiévski disfarçou a obra como ficção, dizendo-a obra de um homem preso por assassinar a esposa em uma crise de ciúmes. Por anos muitos acreditaram que esse havia sido de fato o crime do escritor.

Em 1857, aos 36 anos,  Fiódor casa-se com Maria Dmitrievna e, três anos depois, de volta a Petersburgo, funda com o irmão a revista literária O Tempo, fechada pela censura em 1863. Lança posteriormente outra revista, A época, onde imprime trechos de Memórias do Subsolo. Aos 43 anos perde a mulher e o irmão e, em 1866, publica Crime e Castigo. No mesmo ano de Crime e Castigo conhece Anna Grigórievna, estenógrafa que o ajuda a terminar o livro O jogador e que será sua mulher até o fim da vida. Em 1867, cheios de dívidas, embarcam para a Europa, fugindo dos credores. Neste período escreve O idiota (1868) e O eterno marido (1870).

Retorna a Petersburgo e publica Os demônios (1871), O adolescente (1875) e começa a edição do Diário de um escritor (1873-1881). Em 1878, com 57 anos, perde o filho Aleksiêi, de apenas três anos e começa a escrever Os Irmãos Karamázov, que será publicado em fins de 1880. Dostoiévski falece em 28 de janeiro de 1881, com 58 anos, deixando várias obras inconclusas, dentre elas a continuação de Os irmãos Karamázov, considerada um dos principais monumentos da história da literatura universal.

OS FILHOS DE DOSTOIÉVSKI

Dostoievski teve quatro filhos, sendo que dois deles morreram ainda na infância. A filha Lyuba, não teve filhos; logo, seus herdeiros descendem de seu filho Fyodor, que teve dois filhos: um deles – também Fyodor, assim como o avô e o pai e que morreu ainda muito jovem. Do outro, Lopatin, descendem os herdeiros vivos do grande autor.

BIBLIOGRAFIA DE DOSTOIÉVSKI

1846 – Gente Pobre

1846 – O Duplo

1847 – A Senhoria

1848 – Noites Brancas

1849 – Nietotchka Niezvanova

1859 – O Sonho do Tio

1859 – A Aldeia de Stiepântchikov e Seus Habitantes

1861 – Humilhados e Ofendidos

1862 – Recordações da Casa dos Mortos

1862 – Uma História Lamentável

1863 – Notas de Inverno Sobre Impressões de Verão

1864 – Memórias do Subsolo

1865 – O Crocodilo

1866 – Crime e Castigo

1867 – O Jogador

1869 – O Idiota

1870 – O Eterno Marido

1872 – Os Demônios

1873 – Diário de Um Escritor

1873 – Bóbok

1875 – O Adolescente

1876 – O Mujique Marei

1876 – A Dócil

1877 – Sonho de um Homem Ridículo

1879 – Os Irmãos Karamasov

3 comentários

3 comentários até agora

  1. Em Geral » Segundona atípica maio 8th, 2017 17:58

    […] fizeram trabalhos manuais, correram no brinquedão… enquanto isso eu coloquei a leitura de “Os demônios” em […]

  2. Em Geral » O idiota, de Dostoiévski maio 12th, 2017 17:59

    […] livro O Idiota, de Dostoiévski, começa com o retorno do príncipe Míchkin da Suíça, onde fazia tratamento de saúde. A […]

  3. […] nós saímos de O Capote de Gogol”, disse Dostoiévski e foi justamente por causa desta frase que eu tive interesse em ler este maravilhoso escritor. […]

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