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Archive for the 'Literatura' Category

A fonte e a flor

Como falei no post anterior, sempre nos contaram muitas histórias. Há um poeminha de Vicente de Carvalho contado desde que minhas irmãs, que já passaram dos 40, eram bem pequenas. Uma delas chorava tristinha ao ouvi-lo, só pensando na aflição da flor sendo levada pelas águas da fonte.

A fonte e a flor

Deixa-me, fonte, dizia,
A flor, tonta de terror,
E a fonte, rápida e fria,
Cantava, levando a flor.

Deixa-me, deixa-me, fonte,
Dizia a flor, a chorar.
Eu fui nascida no monte,
Não me leves para o mar!

E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
por sobre a areia corria,
Corria, levando a flor.

“Ai, balanços do meu galho,
Balanços do berço meu,
Ai, claras gotas de orvalho,
Caídas do azul do céu!”

“Carícias das brisas leves
Que abrem rasgões de luar,
Fonte, fonte, não me leves,
Não me leves para o mar!”

As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor…

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Histórias e romances e lembranças

Além de ler os meus, acompanho todos os livros que minha mãe lê. Quando a encontro, normalmente às 18, 19 hs, ela está lendo alguma coisa e, posto de lado o romance, ela me conta tudo, quem são os personagens, seus rumos e aflições. Já me peguei fazendo o mesmo, mas é bom segurar a onda, pois nem todo mundo tem paciência; nem todo mundo gosta disso.

Conheço, mesmo sem ter lido (ainda), grande parte dos livros de  Pearl Buck, escritora norte americana que trouxe ao ocidente os encantos e tragédias do oriente. Dela só li até agora o Mandala, um romance passado na Índia, cuja história aproxima ocidente e oriente pela paixão de um Maharana (Prince Jagat) por uma mulher americana.

Não só minha mãe me contava histórias. Meu pai também. Eu não me esqueço daquela que se resumia em uma garotinha perdida na floresta que, após andar por várias horas, encontrava umas frutinhas que a faziam dormir. Quando a menininha acordava, depois de também muitas horas, a saga continuava: caminhava, comia, dormia.. caminhava, comia, dormia..  E eu, lógico, também dormia, deixando-o feliz da vida.

:)

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Literatura nota zero

E por falar em coisa ruim, nota zero para o “A casa dos budas ditosos”. E olhe que dizem por aí ser a obra mais primorosa do João Ubaldo Ribeiro. Sei lá, realmente é ridículo o falso moralismo, o preconceito contra preferências sexuais e o escambau. Realmente, é um absurdo que a mulher tenha sempre sido tão subjugada e outros bichos.

Mas não vejo como libertador que a personagem principal use bastante drogas,  faça sexo com o irmão, deseje o próprio pai e que tudo isto seja muito normal. Posso ser conservadora, mas o livro não leva ninguém a lugar nenhum.

Obviamente, como o sexo continua sendo fonte de curiosidade e como o incesto é polêmico (e como), uma peça teatral baseada na obra, tendo como atriz a Fernanda Torres como a personagem central, faz muito sucesso. Mas eu dispenso, obrigada.

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A Cidade do Sol

Inicio hoje a leitura de A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini. Não há quem não saiba que ele é também o autor de O caçador de pipas.

Como não li este último livro – apenas vi o filme – não tenho nenhuma referência direta do escritor, apenas boas expectativas. Tive a notícia de que também já foram vendidos os direitos de filmagem deste novo romance; vamos ver no que vai dar.

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Edir Macedo – a biografia

Gostaria muito de descobrir se o Edir Macedo realmente acredita no que prega.

De qualquer forma, terminei a leitura de sua biografia e dela extraí algumas frases que bem poderiam ter saído da minha boca. Ei-las:

- Tem gente fumando aí! Eu não agüento cigarro – esbraveja, abanando o ar com as mãos. (Edir Macedo, fls. 26);

- E as pessoas que fazem romaria, as pessoas que acreditam em outro tipo de santo, também não estão sendo vítimas de charlatanismo? (o bispo, fls. 41 – detalhe para o também.)

- Eu enfrento o diabo, mas não enfrento uma barata. (Edir Macedo, fls. 89);

- Assim é o Brasil. Tudo na base do troca troca. (Honorilton Gonçalves, sobre a compra da Record; fls 145);

Bem, convicções religiosas/filosóficas fora, temos assistido a muitos programas da Rede Record. Como dito no livro – e eu concordo – ela não virou uma igreja eletrônica e tem muita gente boa por lá. Os sites da Rede e da Record News também são muito legais. Valem a pena.

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A menina que roubava livros – impressão final

Como disse num post anterior, estava em dúvidas sobre o livro, se estava ou não me agradando.

Bem, a história até dá um bom filme, destino de muitos dos best sellers atuais. É dramática, forte, apelativa. Mas só isso. A linguagem é arrastada demais e os personagens são muito insossos. De 0 a 5, vai ficar com apenas 2. E que fique bem claro que os 2 pontos são para a esperteza do autor em utilizar-se da segunda guerra para encher os bolsos de tutu. Não me convenceu.

Passo agora à leitura da biografia do Edir Macedo – O Bispo, a história revelada. Sei que vou passar raiva, mas beleza.

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A menina que roubava livros

Estou lendo “A menina que roubava livros”, de Markus Zusak. A primeira impressão não foi muito boa. Frases curtas, impactantes, em um estilo que a mim incomoda um pouco, não sei o porquê.

Com o correr da história, no entanto, o livro foi ficando mais interessante e, às vezes, me transporto a uma cozinha alemã cheirando a sopa de ervilha e a medo do hitlerismo.

Ao contrário de muitos leitores (dei uma olhada em alguns sites), a vida de Liesel não me impressiona mais que a do alemão Hans Hubermann. Este sim, conhecedor dos riscos, deu abrigo a um judeu e, por ele, sacrificou-se em nome de uma promessa. Hans, em outros episódios, se mostra repleto de compaixão, indo de encontro ao espírito do homem médio da época e lugar.

Liesel é uma criança interessante, mas até agora não me comoveu. Sua paixão por livros me parece mais um oportunismo do autor do que qualquer outra coisa. Ter a morte como narradora também me soa conveniente.

Gosto das expressões alemãs intercaladas no texto. Dá vontade de correr ao Goethe Institut!

De qualquer maneira, estas são as impressões iniciais. Deixo o veredicto final para daqui a poucos dias.

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