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Archive for the 'Chile' Category

3º dia no Atacama – Vale da Lua, parte II

Eu aconselho a quem for ao Atacama não atropelar os passeios e deixar algum tempo de descanso entre um e outro. Apesar de nós não termos tido nada, algumas pessoas se sentem mal com a altitude e as longas caminhadas mais a secura do ar podem, sim, trazer um certo desconforto. Na minha opinião, deve-se marcar um passeio por dia e no tempo livre descansar, namorar, ler um livro…

O problema é que como tudo no Atacama é mais caro, a tendência é o turista querer matar todos os passeios em pouco tempo. Também, estar no meio do nada, sem ter o que fazer, sem televisão (poucas pousadas tem, só as mais caras), pode assustar. Mas, meu conselho: relaxe, sinta o lugar, porque poucos lá retornarão.

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3º dia no Atacama – Chuva no Vale da Lua

No mesmo dia em que fomos aos geiseres, fomos conhecer o Vale da Lua.  Foi uma correria só; chegamos da região de Del Tatio – em SPA – mais ou menos às 16:30 e já tínhamos marcado um passeio ao Vale da Lua, que culminaria no pôr-do-sol nas dunas, às 17:00. Ou seja, tivemos tempo apenas de comer umas empanadas. Devo lembrar que estávamos acordados desde antes das 4 da manhã, ou seja, este dia foi, mesmo, bastante cansativo.

Pois então,  quando estávamos chegando ao Vale da Lua o totalmente inesperado aconteceu: fomos surpreendidos pela chuva. Todo mundo sabe que o deserto do Atacama é o deserto mais seco do mundo e as chuvas são coisa rara por lá. Todavia, nos meses de janeiro, ocorre um fenômeno conhecido como inverno boliviano e a região pode ser atingida por chuvas.

Quando começou a chover, um ventinho frio também nos pegou de surpresa; corremos para a van e lá ficamos até que o tempo melhorasse. As fotos, como podem ver, mostram o momento exato da chuva no Vale da Lua, um evento não muito comum e que tivemos o prazer de presenciar e sentir.  


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3º dia no Atacama – voltando para São Pedro

Deixamos os geiseres de lama – com muito pesar, a propósito – e viajamos de volta a São Pedro. No caminho, várias cenas e paisagens inesquecíveis. Na primeira foto, um grupo de vicuñas selvagens. A respeito delas, ficamos sabendo pelo guia que nunca puderam ser domesticadas, por sua natureza. Normalmente andam em grupos de seis: cinco fêmeas e um macho. Se uma outra vicuña se aproxima, é grande a chance de ser um outro macho, desejoso por tomar as meninas do atual companheiro.

Na outra foto, vemos lhamas domesticadas perto de uma pequena vila, chamada Machuca. Pode-se ver que há água no lugar e a vegetação é verdinha, verdinha. A vila tem pouquíssimos moradores e ganham a vida conosco, os turistas, vendendo empanadas e churrasco de lhama. Não tivemos coragem de experimentar as bichinhas depois de vê-las tranquilas e sorridentes pastando. Mas a empanada de queijo de cabra que comi estava perfeita.

A última foto é do deserto de cactos, muito exótico. Os cactos são enormes, alguns têm mais de 3 metros de altura. Crescem muito devagar – se não me engano um centímetro por ano – dando a idéia de quão antiga é esta vegetação. Passeio perfeito.

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3º dia no Atacama – o canjão europeu

Ainda no Parque dos Geiseres del Tatio, há uma grande piscina de água quente, na qual os turistas (na grande maioria europeus) podem tomar um banhozinho. Eles desafiam os 5 graus negativos e, sem pudores friorísticos, tiram a roupa na maior.

Nós não tivemos o despautério de ficar de maiô/calção naquele frio danado, cozinhando na panelinha de pressão com aquele punhado de gente. Parecia, guardadas as devidas proporções, com a galera nadando com peixinhos nas piscinas naturais de Porto de Galinhas.

😉

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3º dia no Atacama – os geisers, parte IV

Neste dia dos geiseres del Tatio, estávamos utilizando os serviços da Cactus Tur, empresa situada em São Pedro do Atacama, obviamente. Pois então, nosso guia fez uma ceninha e disse que nós, diferentemente dos demais turistas, após a visita aos geiseres, seríamos também levamos a conhecer os geiseres de lama.

Os geiseres de lama são realmente incríveis; eu só não acredito no papo da exclusividade anunciada pela Cactus Tur. De toda forma, não vimos outros turistas no lugar naquele dia, de modo que, se você fechar um passeio aos geiseres, pergunte se a empresa o levará até estes geiseres, que são muito, muito curiosos.

Eles ficam em um outro vale, mas na mesma região Del Tatio; há geiseres de lama vermelhinha e outros como este da foto, que parece um cimento fervente. Neste mesmo lugar encontra-se o “Garganta do diabo”. Enorme, é um geiser que surge na margem de uma pequena lagoa. Devido à grande pressão existente naquele lugar, um som alto, gutural, é ouvido de bem longe. Um espetáculo.

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3º dia no Atacama – os geisers, parte III

Quando nos aproximamos mais dos geiseres, nos avisaram que já houve mortes no local, em razão da imprudência e/ou desconhecimento de alguns. Os turistas chegaram muito perto das crateras e foram pegos no susto pelos jatos d´água ferventes. Atordoados, caíram na água e, infelizmente, não resistiram às queimaduras.

Sinceramente, não tivemos como comprovar estas informações, que nos foram passadas pelo guia, mas que as crateras são grandes e cabem facilmente algumas pessoas, isso cabem.

Um geiser, dos bem grandes, fora rodeado de pequenas pedras, para que ninguém dele se aproxime além da conta. Algumas pedrinhas formam letras anunciando o perigo e a proibição de ultrapassá-las. O guia avisa ter sido ali que os turistas se estrupiaram e a gente fica com aquela cara de desconfiança, de quem acha que qualquer pessoa com QI > -1 não iria se aproximar tanto daquelas panelas de pressão.

De toda forma, nos folhetos explicativos que nos foram entregues na entrada do parque, nos avisam dos riscos de de aventurar muito perto dos geiseres. Nos dão informações sobre primeiros socorros e fazem muitas, mas muitas recomendações. Daí, acho eu que as mortes podem, sim, ter ocorrido, e não serem apenas conversa para assustar turista.

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3º dia no Atacama – os geisers, parte II

Me lembro que estávamos aflitos para chegar logo perto dos geiseres, que sempre foram, pelo menos pra mim, um evento natural improvável de ser visto. Quando estivemos na Bolívia, cogitamos a possibilidade de ir ao sul do país conhecê-los, mas os planos mudaram e nós visitamos outras regiões. De toda forma, havia chegado a hora e lá estávamos nós.

Os geiseres são como fontes que, em determinados intervalos de tempo, jorram jatos de água quente e vapor. Eles surgem em razão de atividade vulcânica; no subsolo da região onde existem geiseres há lava e água. A água se aquece e, sob pressão, jorra por onde há escapatória, ou seja, pelos buracos da superfície.

Um cheirinho de enxofre, bem leve, inunda o lugar. A mim me pareceu que estavam cozinhando centenas de dúzias de ovos.

🙂

 

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3º dia no Atacama – os geisers, parte I

O terceiro dia no Atacama foi pesado. Acordamos de madrugadinha e, além da visita aos geiseres del tatio, a algumas vilas e à floresta de cactus, andamos bastante pelo Vale da Lua. Tudo foi muito, muito bacana, mas nada se compara à primeira atração.

Como disse, acordamos ainda de madrugada, já que havia previsão de que a van (da empresa de turismo) estaria à porta da pousada às 4 da manhã. E assim foi. Nos encapotamos, improvisamos um café da manhã e, depois de mais de uma hora pelo deserto, praticamente no escuro, estávamos na entrada do parque que dá acesso aos geiseres.

Durante a viagem pudemos ver montanhas maravilhosas e ficamos impressionados com todos aqueles cumes cobertos de neve. Também nos espantou a habilidade do motorista da van ao visualizar estrada  em uma região quase intocada. Neste ponto, de se alertar que não é muito recomendável ir aos geiseres sem o acompanhamento de um guia experiente. Pode acontecer – e não acho isso muito improvável – do turista se perder, o que é péssimo em se tratando de uma área pouquíssimo habitada como o Atacama.

Bom, chegando ao ponto de apoio ao turista, no parque, você já vê a imagem retradada nestas fotos: um grande vale, montanhas cobertas de neve e um monte de fumacinhas saindo do chão. O frio intenso, inédito para nós, dava o toque final na aura de exoticidade.

A Bolívia é logo ali – disse alguém – atrás daquelas montanhas. E nós tivemos a clara idéia de quanta estrada tínhamos rodado desde o início da viagem. 

 

 

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Cachorro-quente especial – São Pedro

O quê? Cachorro-quente com abacate? Sim. É isso mesmo que vocês estão vendo. O abacate é bastante usado na culinária chilhena em sanduíches e pratos. É a chamada palta hass.

Este da foto, em especial, é um “Italiano”. Trata-se de um pão de cachorro-quente, com uma salsicha e base de molho de tomate. A surpresa fica para a pimentinha no molho e um complemento de abacate. A salsicha é um pouco diferente, mais branca. O sabor é semelhante às salsichas brasileiras e ela costuma vir bem cozida neste tipo de lanche. Ao contrário daqui, ela é colocada separada do molho. Ou seja: parece que só nós, brasileiros, cozinhamos a salsicha e a servimos no molho. Lá é separado.

O abacate não tem gosto tão forte quanto o que conhecemos aqui. É mais suave e, neste prato, é servido moído em cima de tudo.

Como complemento, os condimentos que conhecemos. Maionese e catchup.

Embora bastante exótico para nós, brasileiros, o “Italiano” chileno é bem gostoso. A mistura fica interessante. E é realmente um costume nacional. Haja visto que o McDonald’s tem um sanduíche com abacate. Vale a experiência.

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2º dia no Atacama – A igreja de São Pedro

Enquanto estivemos em Santiago, víamos por toda parte – especialmente em shoppings – a propaganda de uma empresa de telefonia celular anunciando maior cobertura para a região do Atacama. As fotos do anúncio eram todas da igreja de São Pedro. E eram tão bonitas, tão branquinhas e exóticas, que já deixavam transparecer o que nos aguardava.

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2º dia no Atacama – as lagunas

Vale dizer que a laguna Miscanti possui 15 kilômetros quadrados de superfície e a Miñiques, 1,5, sendo que ambas estão a 4.200 metros de altitude. Em relação à fauna, tivemos a oportunidade de ver uma enorme quantidade de pássaros e inúmeros guanacos e vicuñas. Estas, inclusive, beiravam a laguna no momento da foto, mas como estávamos um pouco distante…

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2º dia no Atacama – Lagunas Miscanti e Miñiques

Ao nos deparamos com estas lagunas houve um encantamento imediato. E o mais legal: elas eram, num passado remoto, uma só laguna, que fora separada em duas pelas lavas de um dos vulcões que as cercam. A distância de São Pedro é considerável, mais ou menos 100km, mas vale cada minuto de sacolejo pelas estradinhas de rípio.

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2º dia no Atacama – Parque dos Flamingos

Nosso primeiro passeio no Atacama foi para o Soncor, o Parque Nacional dos Flamingos. Quando você chega ao parque, após pagar a taxa de ingresso, já se vê numa estradinha feita com pedras de sal, rodeada de umas pequenas lagoas (chaxas), cheinhas de flamingos e outros pássaros menores. Estávamos entusiasmados demais com a beleza e a riqueza do deserto.

Após ficarmos um pouco por lá, fomos até o ponto de apoio do parque, assistimos a um vídeo explicativo e, após, tomamos café da manhã, servido ali mesmo. Foi bem legal esta hora, quando conhecemos algumas pessoas do nosso grupo e tivemos a oportunidade de falar um pouco sobre o Brasil e, claro, sobre Belo Horizonte.

Após, viajamos um pouco mais e fomos em direção às maravilhosas lagunas Miscanti e Miñiques. Foi um dia muito gostoso.

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Pousada Don Raul – São Pedro do Atacama

A pousada Don Raul é boa. O problema é que eles se fazem de bobos e não te avisam do costume de cortar a água à noite. E aí você chega de um passeio, todo empoeirado e.. boas. Não há água na pousada. Nós percebemos o engodo da seguinte forma: em uma das noites, ao chegarmos tarde de um dos passeios, não saía água quente do chuveiro. E, como estava bem frio, comunicamos o fato à recepção. O dono da pousada veio ver o que era e nos avisou que havia um problema no aquecimento a gás. Eles ficaram tentando resolver o “problema” e nos facultaram usar os banheiros coletivos, o que não foi muito apreciado.   

Na mesma noite, fomos mudados de quarto, mas o problema persistiu, de modo que, neste dia, tomamos um banho de gato e  fomos dormir.  Em nenhum momento o dono da pousada nos sugeriu, por exemplo, pagar esta diária como se estivéssemos usando banhos coletivos. No dia seguinte, a mesma jornada. Primeiro não havia água quente. Depois, nem água havia. Os atendentes e o dono da pousada se limitavam a pedir desculpas.

Conversando com outros hóspedes, descobrimos que não estava faltando água em SPA (se estivesse, entenderíamos, obviamente). É que o dono da Don Raul, após determinada hora da noite, simplesmente fecha o registro e deixa os clientes sem água. O hóspede precisa conversar a respeito na recepção – dizer que vai chegar tarde ou que vai sair bem cedo e que precisa da água, logicamente –  pra não ser pego de surpresa. Quando fizemos isso, tivemos o problema resolvido. No mais, o lugar é bacaninha, os quartos são bons, o atendimento é legal.

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Fazendo justiça a São Pedro do Atacama – Chile

Alguns posts atrás, escrevi que SPA não é nada mais do que um ponto de apoio no deserto do Atacama. Tal afirmação não é esclarecedora em se tratando da história do Chile, por isso resolvi falar algo mais a respeito.

Pois bem, segundo registros históricos, a região de São Pedro foi frequentada por nômades desde que o homem é homem. Nesta época, havia grandes lagos e rios abundantes. Milhares de anos depois, o clima sofreu uma grande mudança, passando de chuvoso a seco. As águas se evaporaram, surgindo, por exemplo, uma das grandes atrações do lugar, o Salar do Atacama (surpreendente, por sinal).

Então, em razão desta mudança climática e já pelos idos de 1000 a.c, as famílias começaram a buscar as poucas regiões que mantiveram alguma umidade e nas quais encontrariam o algarrobo, o chanãr (duas árvores típicas que produzem fruto) e os guanacos, um tipo de lhama selvagem. Os primeiros assentamentos humanos na região foram Tulor, Coyo e Beter, nos quais se cultivava milho, batata e quinua. Mais tarde, viraram vilas e passaram a negociar com outras, como Chiu Chiu e Lasana, que se tornaram importantes centros de comércio.

Duas culturas sobressaíam nesta época, a atacamenha e a tiawanaku, e tem-se, como curiosidade, que, ainda no ano de 500 d.c, era comum o uso de alucinógenos com finalidade espiritual. A partir de 700/900 d.c as relações entre as duas culturas começaram a ruir, iniciando-se a produção de armas, sendo que as vilas tornaram-se verdadeiras fortalezas, conhecidas como Pucaras. A cultura atacamenha foi mais brava e consolidou-se na região.

Na época em que os europeus rumaram para o norte do Chile, foram se instalando onde hoje é, propriamente, São Pedro; dá pra perceber, inclusive, a cultura cristã  sobrepujando-se à atacamenha (ou licanantai).

Enfim, São Pedro encontra-se neste burburinho histórico, circundada de vilas e fortalezas, algumas ainda encobertas pela areia.  

Estivemos em alguns destes lugares. Logo virão as fotos.

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