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Autor: Ela Page 34 of 119

A Transparência do Tempo

A Transparência do Tempo, de Leonardo Padura, foi presente de uma amiga querida durante o perí­odo em que eu estava me recuperando do joelho. Foi uma boa leitura, interessante para compreender melhor a realidade de Cuba.

Padura relata um pais amado, de gente boa de vida difí­cil. A pobreza e a escassez de produtos básicos estão na obra de forma enviezada, por exemplo quando os personagens se alegram por poder tomar um café decente. Não há crí­ticas tão diretas ou duras ao regime, Padura ama viver em Cuba, mas o escritor não faz questão de relatar um pais sem máculas ou dificuldades.

Pesquisei sobre Padura e li que ele mesmo se diz preterido em seu paí­s natal. Em razão de suas crí­ticas ao regime provavelmente, mas ele é o cara que diz que “precisamos refundar a utopia”, ele ama Cuba e não pretende deixá-la.

Em A transparência do tempo, seu último romance, há um trânsito entre a Guerra Civil Espanhola e o cotidiano da Cuba imediatamente anterior í  morte de Fidel Castro. A história versa sobre o famoso ex-policial cubano Mario Conde, que percebe o encolhimento da oferta de livros usados cuja revenda vinha sendo seu ganha-pão. Aparece, então, um ex-colega de escola e lhe oferece o trabalho de recuperar a estátua de uma Virgem negra que lhe fora roubada. Com o passar das investigações, Conde percebe que a peça é mais valiosa do que imaginava.

Há capí­tulos intercalados, nos quais o autor relata as lendas que envolvem a imagem da santa, tendo como pano de fundo a Catalunha, desde a Idade Média até a Guerra Civil Espanhola. Pela Cuba contemporânea Conde ronda dois polos da mesma moeda: o submundo dos cortiços, o tráfico de drogas e o ambiente tóxico dos colecionadores de arte, várias vezes envolvidos em contrabando e venda ilegal de obras. Padura fala de catolicismo e da santerí­a (que seria o Candomblé cubano?) sincretizados, o que torna o livro bastante interessante.

Leonardo Padura Fuentes nasceu em Havana em 1955. Pós-graduou-se em Literatura Hispano-Americana, é romancista, ensaí­sta, jornalista e autor de roteiros para cinema. Ganhou reconhecimento internacional com a série de romances policiais Estações Havana, adaptada para o cinema e que inclusive assistimos no Netflix. Padura também escreveu O homem que amava os cachorros, considerada sua obra principal, e Hereges, tendo recebido diversos prêmios de Literatura.

Crime e Castigo

Então… Comecei a ler Crime e Castigo, de Dostoiévski, em janeiro deste ano, quando nem sonhava que levaria um tombo, machucaria gravemente o joelho e ficaria um bom perí­odo de repouso. Após a queda e passados os primeiros dias de aflição com a situação, continuei a leitura, o que me garantiu tardes nada monótonas.

Penso que falar do enredo é chover no molhado, pois temos um sem número de resenhas e textos a respeito. Mas, afinal, porque ler Crime e Castigo?

Porque o livro não trata de uma simples história de assassinato; muito além disso: ele vai fundo na natureza humana. É um debate sobre a moral e a legalidade, um estudo sobre o remorso, sendo que o crime é apenas o pano de fundo para a análise da consciência do criminoso.

O texto de Crime e Castigo é estudado na psicologia, na sociologia e na filosofia e influenciou inúmeros pensadores ocidentais. Nietzsche, Freud, Sartre beberam suas palavras e o estilo literário influenciou Camus, George Orwell, Proust, Kafka e Hemingway.

Sem mais palavras para este obra: apenas um clássico que não perderá sua majestade. Podes crer.

Pausa para recuperação

No dia 28 de janeiro fiz uma postagem. Estávamos ainda em férias e devolvendo livro na Biblioteca Pública da Praça da Liberdade. Mal sabia eu que 4 dias depois eu sofreria uma queda (boba) e quebraria de forma grave a patela. Até aqui já são 3 meses de recuperação, uma cirurgia por vir e a vida quase parada.

De lá pra cá li alguns livros sobre os quais vou escrever em breve, vi alguns filmes, séries e… fiquei parada. Por mais de mês nem banho pude tomar sozinha, estava dependendo de várias pessoas, principalmente para me ajudarem com as crianças.

Agora estou caminhando com alguma dificuldade, mas estou caminhando. Já posso fazer várias coisas, passeio com os meninos e a vida está quase normal. Foi uma queda e um joelho gravemente quebrado. Mas, ainda bem, algo que se resolve e a vida volta ao normal.

Batata doce assada com páprica

Uma amiga querida me deu uma ideia maravilhosa. A de assar a batata doce picada e temperada com uma mistura de manteiga, alho, sal e páprica picante. Você faz uma pastinha com estes ingredientes e passa bem em todos os cubinhos de batata doce.

O resultado é uma batata doce macia por dentro, sequinha por fora e muito saborosa. Se você quiser, pode misturar páprica doce para não ficar muito apimentada. Neste dia também assei abóbora vermelha no azeite e tirinhas de abobrinha temperadas e passadas na farinha de rosca. Tudo fez sucesso.

Musse de chocolate com aquafaba

Você conhece aquafaba, sabe o que é? Aquafaba é o resultado da água do cozimento de leguminosas, sendo o mais usado o grão de bico. Você vai deixar 1 xí­cara de grão de bico de molho em 3 xí­caras de água por, pelo menos 6 horas. Neste perí­odo escorra e troque a água por 2 vezes.

No fim do perí­odo, escorra e descarte a água do molho. Coloque o grão-de-bico escorrido em panela de pressão e adicione mais 3 xí­caras de água. Feche a panela e leve ao fogo alto. Não adicione sal nem temperos.

Quando a panela de pressão começar a fazer barulho, baixe o fogo e deixe cozinhar por 20 minutos. Desligue o fogo, espere esfriar. Ao abrir a panela despeje tudo – o grão-de-bico mais a água – em um pote com tampa e leve í  geladeira até o dia seguinte. Passe, então, o grão-de-bico por uma peneira e recolha o lí­quido, que é, justamente, a aquafaba.

Agora, para fazer a base da musse, leve este lí­quido í  batedeira e bata bastante, até que se transforme no ‘chantilly’ mostrado nas fotos. Adicione, depois de já iniciado o processo, algumas gotas de baunilha pra reduzir o cheio do grão de bico. No caso, não junte nenhum açúcar, pois quando a base já estiver bem durinha, vamos juntar chocolate ao leite derretido, que já é bastante doce.

Quando o ‘chantilly’ estiver em ponto de claras em neve, junte o chocolate derretido, mexa delicadamente e leve ao congelador por algumas horas antes de servir. Se desejar, reduza ainda mais o açúcar da receita, usando chocolate amargo ou mesclando este com o chocolate ao leite. A receita ficou deliciosa, mas dá um pouquinho de trabalho. De qualquer forma, foi super válida de fazer e conhecer; achamos (eu e Ele fizemos juntos) muito interessante o processo, sem contar que nos rendeu uma sobremesa deliciosa.

Fazendo creme azedo simples

Para o aniversário Dele fizemos, no fim de semana após o dia 15, um almoço mexicano. Eu com a perna imobilizada, mas animada, combinamos alguns pratos tí­picos e o também tí­pico creme azedo.

Este Ele mesmo fez, dessorando 500g de coalhada integral de um dia para o outro. O resultado são 200g de creme azedo e 300g de soro, aproximadamente. E deu muito certo. Foi um ótimo acompanhamento.

Dessorar a coalhada é simplesmente deixa-la escorrendo em um papel de coador. O soro sai e fica o creme azedo. Vai no improviso mesmo.

Em recuperação

Quebrei o joelho dia 02 de fevereiro e estou me recuperando (e sendo bem mimada) na casa de mamis. Sempre tem algo bom nos momentos nem tão bons assim. 😉

Livros da Biblioteca – dia 4

Hoje fomos entregar os 3 últimos livros na Biblioteca Pública. Os dois já tinham ido andar de bicicleta na Praça da Liberdade; então, sozinha na biblioteca, peguei apenas um. Apenas este do Tolkien, pois vamos começar na próxima semana a leitura da História das Invenções, de Lobato.

A propósito, este livro do Tolkien – Sr. Bliss – é uma graça. Esta edição contém o texto em português nas páginas esquerdas e, nas direitas, o texto manuscrito original, bem como as ilustrações do próprio autor. A história é muito criativa – como era de se esperar – e as ilustrações muito delicadas. Vale a pena.

Com o livro em mãos fui para a Praça encontrar os três e lá ficamos até escurecer. Os dias estão muito longos e quentes, muito quentes. Os dois andaram tanto de bicicleta que nossa menina acordou de madrugada reclamando de dor na perna.

Lama, morte e lágrimas

Mais uma vez dezenas de mortes, centenas de famí­lias em desespero, milhares de pessoas consternadas, milhões de animais sucumbidos. A natureza em declí­nio e a esperança soterrada. Mais uma vez.

Mas o bolso de uma meia dúzia continuará cheio. Os carros, as mansões, as viagens… estas seguem firme e forte. Sem abalo.

Caçadas de Pedrinho

Caçadas de Pedrinho foi o nosso nono livro da coleção infantil de Monteiro Lobato. Divertido e irônico (principalmente quando se refere í s atitudes dos funcionários públicos que foram ao sí­tio recuperar o famoso paquiderme), nos trouxe bons momentos de diversão.

Os dois, como sempre, adoraram a leitura, acompanhada de algumas reflexões sobre a época em que o livro fora escrito, especialmente em razão da propriamente dita caçada da onça. 🙂 Com 07 anos eles já conseguem compreender que o mundo muda, evolui (preferencialmente) e que toda leitura precisa ser balizada e interpretada.

Daremos uma breve pausa nos livros de Monteiro Lobato e daremos iní­cio í  série de livros Diário de Pilar, indicada por amigos nossos. Parece muito interessante, já até pegamos o nosso primeiro na Biblioteca Pública.

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