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Retornando a Santiago

Nossa viagem de retorno a Santiago fora tão bacana quanto a ida ao Atacama. Assistimos a vários filmes e dormimos bem í  noite, de modo que a viagem passou mais rápido do que se pode imaginar. De fato, durante a viagem, descansamos da correria dos passeios no Atacama. Chegando a Santiago, procuramos, desta vez, um hotel no bairro Providência, que  nos lembrou o bairro Funcionários aqui da capital mineira. Pois bem, ficamos na Posada del Salvador, um hotelzinho bem simpático e bem diferente do Hotel Paris, do qual iremos falar no próximo post.

Quando chegamos inicialmente em Santiago, antes de visitar a região de Antofagasta, estávamos naquela sangria de conhecer tudo da cidade, todos os pontos turí­sticos, todas as indicações de conhecidos. Agora não. Estávamos em Santiago e irí­amos acordar tarde, curtir os restaurantes, passear tranquilamente pelos bairros da cidade, conhecer suas livrarias e lojas de Cds, seus shoppings, sua noite, suas lojas de antiguidades. E, como não poderia deixar de ser, visitar seu grande museu. Ou seja, estávamos ali para vivenciar a cidade, o que foi delicioso.

Quanto ao bairro da Providência, nós realmente o adoramos. Há muitos bares e restaurantes gostosos e muitas, mas muitas lojas interessantes. Santiago, de uma forma geral, nos pareceu muito boa para se viver; o povo é educado e simpático. A cidade é limpa, cuidada e não parece ser perigosa. E as estradas do Chile – pelo menos todas as que percorremos – são excelentes, o que, claro, conta pontos a favor da capital.

5º dia no Atacama – retorno a Santiago

Na manhã do 5º dia em que estávamos em São Pedro, passeamos pela cidade, fotografamos o exuberante Licancabur (primeira foto, encoberto por grossas nuvens), deixamos nossas calças jeans para lavar, mandamos mensagens para a famí­lia e até cogitamos em postergar a viagem de volta. Afinal, não tí­nhamos tido a oportunidade de fazer o passeio astronômico, em razão do mau tempo e, bem, estávamos (talvez eu mais) um pouco saudosos de deixar a cidade.

Todavia, depois de conversar um pouco, concluí­mos que valeria a pena retornar í  Santiago e aproveitar um pouco mais da cidade da qual também ficamos fãs. Destino decidido, almoçamos este pratão aí­ da foto, pegamos nossas calças jeans e rumamos para a rodoviária.

Vale ressaltar que no dia em que viemos embora, passamos em uma drogaria que nos pareceu servir especialmente aos habitantes da cidade de São Pedro e não aos turistas. Pois bem, na parede do estabelecimento havia um grande banner e nele havia informações sobre a existência de minas terrestres na região do Atacama. O banner explicitava as espécies de minas, como reconhecê-las, o perigo de encontrá-las e as precauções devidas. Ficamos nos entreolhando com cara de espanto, mas não tivemos a coragem de perguntar nada, pois o dono da loja, ao perceber nossa curiosidade, não mostrou nenhuma receptividade, o que nos deixou sem jeito. Restou, então, a curiosidade e o arrependimento por não termos sido mais cara de pau. Ou melhor, fomos educados e sacamos que o assunto era meio tabu; não estávamos ali para incomodar ninguém.   

 

Mais fotos do pôr-do-sol no Atacama

Nos despedí­amos do Atacama e fomos presenteados por este lindo pôr-do-sol.

4º dia no Atacama – Pôr-do-sol no Salar

Pouco depois de vermos o arco-í­ris no salar, presenciamos um lindo pôr-do-sol. A sensação é muito maluca; há pouquí­ssimos minutos estávamos com calor, mas os ventos e as núvens que ameaçavam despejar água faziam a temperatura oscilar bastante. Com o sol baixando, o frio veio pra ficar. E como o ar estava bastante seco, as cores que ví­amos pareciam ser mais fortes e vivas.

A quantidade de tons de amarelo e sombras que ví­amos no céu foi algo muito surpreendente. Uma pena estar nublado, mas, ainda assim, foi um espetáculo e tanto. A segunda foto deste post mostra as nossas sombras, abraçados no deserto. Esta mesma foto vai decorar – ampliada – a sala de nossa casa.

4º dia no Atacama – Arco-íris no Salar

Como já disse, presenciamos chuva ao iniciar o passeio pelo Vale da Lua; na ocasião, fomos informados de que o evento era consequência de algo chamado “Inverno Boliviano” que, naquela época do ano (janeiro) faz com que a temperatura baixe um pouco e ocorram precipitações isoladas. Apesar disso, há regiões no deserto que nos disseram nunca ter chovido.

Durante este passeio pelo salar fomos ameaçados por nuvens negras. Neste dia, entretanto, não choveu. Ao entardecer, quando estávamos fazendo um pequeno lanche com o pessoal da empresa de turismo e os outros turistas (franceses, alemães e uma iraniana, como já foi dito) presenciamos um lindo arco-í­ris.

É uma pena que a foto não consiga mostrar a magnitude da coisa. Como estávamos numa grande área plana, o arco-í­ris era gigantesco e parecia bem mais perto de nós. Uma pena também não dispormos de equipamentos adequados e/ou conhecimento necessário para registrar aquele lindo momento em foto.

4º dia no Atacama – Salar de Atacama, parte II

Mais fotos do Salar.

Exuberância das formas que surgem no curso da evaporação do pouco que resta de água na região.

4º dia no Atacama – Salar de Atacama, parte I

Este é o Salar do Atacama, uma imensidão de sal rodeada por montanhas, vulcões e, eventualmente, uma laguna de águas quentes. Em algumas áreas do salar ainda pode-se ver água e, consequentemente,  flamingos se alimentando da artêmia, um pequeno crustáceo rico em beta-caroteno, que lhes confere a cor rosada.

Os cristais de sal impressionaram, só não sei se mais que as nuvens negras que pairavam por sobre o salar.

🙂

4º dia no Atacama – Laguna Salada e Ojos del Salar

Após o passeio arqueológico, fomos conhecer a Laguna Salada, os Ojos del Salar e o Salar de Atacama. O passeio foi bem bacana, mas estávamos meio aflitos porque o tempo não estava nada bom. Ameaçava cair um baita temporal – podes crer – e o guia nos disse que se chovesse não poderí­amos ir até o Salar. As fotos não mentem; mostram bem o que é o tal do inverno boliviano. Frio e chuva em janeiro, em pleno deserto.

A primeira foto é da Laguna Salada. Há tanto sal nesta água que não se afunda. A água, bem na superfí­cie, é um pouco fria, mas vai esquentando conforme a profundidade, em razão da atividade vulcânica existente em toda região. Mas, como eu dizia, a água é tão salgada que depois de um mergulho, quando você se seca, vê os cristaizinhos de sal na pele e nos cabelos. Logo, não é muito conveniente mergulhar a cabeça nesta laguna. Pode, mas não deve!

Os Ojos del Salar são dois buracões no meio do nada, cheios de água salobra. Ou seja, a água não é tão salgada quanto a da Laguna Salada, mas também não é doce. Na foto, vemos um dos ojos, misterioso como tudo no Atacama.

Como nem tudo é perfeito, ficamos pouco tempo nesta área, pois umas francesas super legais estavam com frio e queriam porquê queriam ir logo embora, em direção ao Salar do Atacama. É, passeios em turma tem disto; não se pode agradar a todos, todo o tempo.

Homenagem aos povos atacamenhos

Abaixo, tradução livre da placa existente na parte mais alta do Pukara de Quitor, em homenagem a mais um povo dizimado pelos espanhóis.

“Defendiam sua liberdade, famí­lia, alimentos e animais contra uma centena de aventureiros ávidos pelo ouro. Isto ocorreu em 1540, quando os invasores, em seus cavalos, apareceram no deserto do Atacama.

Este feito marca o decadente destino da desenvolvida cultura Atacamenha… até nossos dias.

O atacamenho é quem aqui, desamparado por seus deuses e pelo deus que lhe impôs o conquistador, imitando o Cristo crucificado grita: Deus meu, porque me abandonaste?

Esta obra busca a conciliação e procura apagar as cicatrizes da história. Simboliza o espí­rito harmonioso dos homens de boa vontade da cidade de São Pedro do Atacama e do planeta Terra”

4º dia no Atacama – Passeio arqueológico

O quarto dia no Atacama foi bem interessante. Estivemos em duas ruí­nas situadas bem pertinho de São Pedro. A primeira foto é da Aldeia de Tulor; estima-se que esta vila, constituí­da de pequenas casinhas de barro e palha era habitada em 400 AC. As habitações, como se pode ver, são circulares e comunicam-se entre si, tendo pátios em comum.

O guia Patrí­cio, da Cactus Tour, nos explicou que, há alguns anos, o governo chileno repassou verba para uma grande universidade enviar ao Atacama alunos de arqueologia, os quais, durante certo tempo, fizeram escavações na área da Aldeia de Tulor. Todavia, a falta de constância no apoio do governo e problemas sociais relacionados com os habitantes da região, í­ndios descendentes dos povos atacamenhos, impediram a continuidade dos estudos. De acordo com o guia, a comunidade local prefere que a sua história reste para sempre enterrada, pois vêem as escavações como uma afronta e desrespeito aos mortos. Eles também não são bobos e sabem que os objetos e as múmias ali ‘descobertas’ acabam saindo do Atacama, indo para museus em Santiago ou, pior, para outros paí­ses.

A segunda foto é do Pukara de Quitor, fortaleza onde viviam famí­lias atacamenhas quando da conquista das américas pelos espanhois, em 1540. Esta fortaleza ficou famosa porque os espanhóis, ao conseguir invadi-la, deceparam a cabeça de seus chefes, história trazida a romance por Izabel Allende em Inês de minha alma.

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