Um escritor bem bacana: conheça Pierre Gripari

Semana passada fomos a uma feira de livros e meu filho pediu que comprássemos o livro Contos da rua Brocá, de Pierre Gripari. Ele conheceu o livro na escola, mas eu nunca nem tinha ouvido falar no escritor. Uma breve folheada foi bastante para eu me interessar.

Pierre Gripari é realmente mais conhecido do público como escritor infantil. O Contos da Rua Brocá é seu trabalho mais famoso, tendo sido publicado em 1967 . Inclui várias histórias que caracterizam o cenário familiar fantástico de um distrito da Paris contemporânea. Alguns personagens são filhos de imigrantes, mas também são objetos, legumes, bruxas… A convivência é harmônica. Ou talvez não.

Eu adorei a história da batata que desejava ser batata frita e também a da bruxa do armário. Vale demais como presente para crianças de 8 a 12 anos ou mais. Eu, já com algumas décadas, adorei e vou procurar outros livros do autor, infantis ou não. O público aqui de casa é heterogêneo. 🙂

Pierre Gripari nasceu de pai grego e mãe francesa e ambos morreram durante a Segunda Grande Guerra. Órfão e sem condições financeiras, abandonou os estudos e começou a trabalhar em toda sorte de atividades, até que em 1946 se ofereceu para servir às tropas aéreas. Em determinado momento larga tudo e dedica-se à literatura, mas as dificuldades em ser reconhecido o colocam em estado de pobreza.

Pierre Gripari foi rejeitado sucessivamente por dezessete editores e só em 1974 encontrou uma editora  (L’Age d’Homme) que lhe deu total liberdade, aceitando sistematicamente todos os seus livros.

Também foi crítico teatral, colaborador do Espetáculo Mundial e da Defesa do Ocidente , periódicos da época, e falava frequentemente no rádio, em duas empresas ideologicamente diferentes: a Rádio Courtoisie , que retransmite regularmente uma longa conversa sobre Gogol,  e a France Culture

Eu achei muito interessante o fato dele ter participado da Rádio Courtoisie. Quando fui pesquisar sobre Gripari esperei que houvesse a informação de que ele se inspirara em Gogol, mas nada encontrei. Apenas que ele participava da rádio e que falava russo. Então, logo já admiti que ele leu Gogol no original e que gostava tanto do autor que tomou para si seu tom surrealista. Gogol foi o precursor de alguns dos escritores mais famosos do mundo. Não me admiraria se fosse também de Pierre Gripari.

Leia aqui o que eu achei do Capote e de outros contos de Gogol!

Personalidade

Membro da Mensa, ele se definia como “um marciano observando o mundo dos homens com uma curiosidade divertida, estranha ao mundo terrestre. Levou uma vida indiferente a ambições materiais. Segundo ele, “Há sacrifícios. O prazer de escrever vale tudo isso. “

Comunista com tendência stalinista dos anos de 1950 a 1956, posteriormente se aproximou dos círculos da extrema direita, mas não tinha compromisso político. O que ele mais queria era apontar o folclore da religião, sendo bastante irônico em seus livros e contos.

Gripari explorou praticamente todos os gêneros. Foi excelente conhecedor do patrimônio literário nacional e soube aproveitar ao máximo os mitos e o folclore popular, sem desprezar as histórias de fantasia e a ficção científica. Criou um universo inteiro. 

As únicas histórias em que estou interessado“, escreve ele em “Back-World “, são aquelas que tenho certeza desde o início que nunca aconteceram, nunca acontecerão, nunca acontecerão“.

Vivia a homossexualidade sem aparentes problemas. Escrevia muito sobre o assunto, bem como sobre a história do século XX e fazia duras críticas ao monoteísmo, especialmente à religião judaica, o que fez com que – em muitos momentos – fosse chamado de anti-semita.

Os contos de Gripari já nos renderam várias noites de muitas risadas, gargalhadas inclusive. O difícil é parar de ler para ir dormir. Quando tiver a oportunidade de ler alguma obra adulta menciono por estas bandas. Minha lista de livros está tão grande… ui.

O francês morreu aos 65 anos, em Paris, em decorrência de complicações operatórias, foi cremado e teve suas cinzas espalhadas no cemitério de Père-Lachaise.

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