Nos despedíamos do Atacama e fomos presenteados por este lindo pôr-do-sol.
Autor: Ela Page 114 of 121
Pouco depois de vermos o arco-íris no salar, presenciamos um lindo pôr-do-sol. A sensação é muito maluca; há pouquíssimos minutos estávamos com calor, mas os ventos e as núvens que ameaçavam despejar água faziam a temperatura oscilar bastante. Com o sol baixando, o frio veio pra ficar. E como o ar estava bastante seco, as cores que víamos pareciam ser mais fortes e vivas.
A quantidade de tons de amarelo e sombras que víamos no céu foi algo muito surpreendente. Uma pena estar nublado, mas, ainda assim, foi um espetáculo e tanto. A segunda foto deste post mostra as nossas sombras, abraçados no deserto. Esta mesma foto vai decorar – ampliada – a sala de nossa casa.
Como já disse, presenciamos chuva ao iniciar o passeio pelo Vale da Lua; na ocasião, fomos informados de que o evento era consequência de algo chamado “Inverno Boliviano” que, naquela época do ano (janeiro) faz com que a temperatura baixe um pouco e ocorram precipitações isoladas. Apesar disso, há regiões no deserto que nos disseram nunca ter chovido.
Durante este passeio pelo salar fomos ameaçados por nuvens negras. Neste dia, entretanto, não choveu. Ao entardecer, quando estávamos fazendo um pequeno lanche com o pessoal da empresa de turismo e os outros turistas (franceses, alemães e uma iraniana, como já foi dito) presenciamos um lindo arco-íris.
É uma pena que a foto não consiga mostrar a magnitude da coisa. Como estávamos numa grande área plana, o arco-íris era gigantesco e parecia bem mais perto de nós. Uma pena também não dispormos de equipamentos adequados e/ou conhecimento necessário para registrar aquele lindo momento em foto.
Este é o Salar do Atacama, uma imensidão de sal rodeada por montanhas, vulcões e, eventualmente, uma laguna de águas quentes. Em algumas áreas do salar ainda pode-se ver água e, consequentemente, flamingos se alimentando da artêmia, um pequeno crustáceo rico em beta-caroteno, que lhes confere a cor rosada.
Os cristais de sal impressionaram, só não sei se mais que as nuvens negras que pairavam por sobre o salar.
🙂
Após o passeio arqueológico, fomos conhecer a Laguna Salada, os Ojos del Salar e o Salar de Atacama. O passeio foi bem bacana, mas estávamos meio aflitos porque o tempo não estava nada bom. Ameaçava cair um baita temporal – podes crer – e o guia nos disse que se chovesse não poderíamos ir até o Salar. As fotos não mentem; mostram bem o que é o tal do inverno boliviano. Frio e chuva em janeiro, em pleno deserto.
A primeira foto é da Laguna Salada. Há tanto sal nesta água que não se afunda. A água, bem na superfície, é um pouco fria, mas vai esquentando conforme a profundidade, em razão da atividade vulcânica existente em toda região. Mas, como eu dizia, a água é tão salgada que depois de um mergulho, quando você se seca, vê os cristaizinhos de sal na pele e nos cabelos. Logo, não é muito conveniente mergulhar a cabeça nesta laguna. Pode, mas não deve!
Os Ojos del Salar são dois buracões no meio do nada, cheios de água salobra. Ou seja, a água não é tão salgada quanto a da Laguna Salada, mas também não é doce. Na foto, vemos um dos ojos, misterioso como tudo no Atacama.
Como nem tudo é perfeito, ficamos pouco tempo nesta área, pois umas francesas super legais estavam com frio e queriam porquê queriam ir logo embora, em direção ao Salar do Atacama. É, passeios em turma tem disto; não se pode agradar a todos, todo o tempo.
Abaixo, tradução livre da placa existente na parte mais alta do Pukara de Quitor, em homenagem a mais um povo dizimado pelos espanhóis.
“Defendiam sua liberdade, família, alimentos e animais contra uma centena de aventureiros ávidos pelo ouro. Isto ocorreu em 1540, quando os invasores, em seus cavalos, apareceram no deserto do Atacama.
Este feito marca o decadente destino da desenvolvida cultura Atacamenha… até nossos dias.
O atacamenho é quem aqui, desamparado por seus deuses e pelo deus que lhe impôs o conquistador, imitando o Cristo crucificado grita: Deus meu, porque me abandonaste?
Esta obra busca a conciliação e procura apagar as cicatrizes da história. Simboliza o espírito harmonioso dos homens de boa vontade da cidade de São Pedro do Atacama e do planeta Terra”
O quarto dia no Atacama foi bem interessante. Estivemos em duas ruínas situadas bem pertinho de São Pedro. A primeira foto é da Aldeia de Tulor; estima-se que esta vila, constituída de pequenas casinhas de barro e palha era habitada em 400 AC. As habitações, como se pode ver, são circulares e comunicam-se entre si, tendo pátios em comum.
O guia Patrício, da Cactus Tour, nos explicou que, há alguns anos, o governo chileno repassou verba para uma grande universidade enviar ao Atacama alunos de arqueologia, os quais, durante certo tempo, fizeram escavações na área da Aldeia de Tulor. Todavia, a falta de constância no apoio do governo e problemas sociais relacionados com os habitantes da região, índios descendentes dos povos atacamenhos, impediram a continuidade dos estudos. De acordo com o guia, a comunidade local prefere que a sua história reste para sempre enterrada, pois vêem as escavações como uma afronta e desrespeito aos mortos. Eles também não são bobos e sabem que os objetos e as múmias ali ‘descobertas’ acabam saindo do Atacama, indo para museus em Santiago ou, pior, para outros países.
A segunda foto é do Pukara de Quitor, fortaleza onde viviam famílias atacamenhas quando da conquista das américas pelos espanhois, em 1540. Esta fortaleza ficou famosa porque os espanhóis, ao conseguir invadi-la, deceparam a cabeça de seus chefes, história trazida a romance por Izabel Allende em Inês de minha alma.
Em determinado momento do passeio no Vale da Lua  o guia pede que todos nos calemos para ouvir os sons do deserto. É nesta hora que se percebe que tudo ali parece ter (ou tem!) vida. A todo instante, ouve-se estalos, barulhos vindos de dentro das montanhas de rochas. E você se sente uma formiga que corre risco de ser aterrada. As fotos não mostram, mas caminhamos por entre pedras gigantescas, vermelhas, muito belas.  Quase no fim do dia, fomos conhecer a grande duna do Vale da Lua e lá esperamos pelo pôr-do-sol.
A segunda foto é do vulcão Licancabur, reverenciado desde sempre pelos povos da região. Â
Ao chegarmos em São Pedro fomos comer e desmaiamos logo após um banho quente. Só neste dia pegamos frio abaixo de zero, vimos os geiseres, as vicunãs selvagens e as lhamas domesticadas, comemos empanadas de queijo de cabra, conhecemos o deserto de cactos, sentimos muito calor, muita sede, pegamos chuva no deserto, caminhamos envoltos a rochas enormes, subimos e descemos uma duna gigante e asistimos a um pôr-do-sol famoso. Valeu.
Eu aconselho a quem for ao Atacama não atropelar os passeios e deixar algum tempo de descanso entre um e outro. Apesar de nós não termos tido nada, algumas pessoas se sentem mal com a altitude e as longas caminhadas mais a secura do ar podem, sim, trazer um certo desconforto. Na minha opinião, deve-se marcar um passeio por dia e no tempo livre descansar, namorar, ler um livro…
O problema é que como tudo no Atacama é mais caro, a tendência é o turista querer matar todos os passeios em pouco tempo. Também, estar no meio do nada, sem ter o que fazer, sem televisão (poucas pousadas tem, só as mais caras), pode assustar. Mas, meu conselho: relaxe, sinta o lugar, porque poucos lá retornarão.




















