Meu pai chamava esta fruta do cerrado brasileiro de araticum, araticum-cagão ou cabeça de nêgo. Trazia para casa umas enormes, cheirosas, suculentas. E “de vez em sempre” resolvia fazer doce delas.
Cuidadosamente separava gomo por gomo, lavava tudo, raspava a areia que fica entre a polpa e a casa. Depois coava a água da lavação em pano próprio e com ela mesmo fazia uma calda translúcida.
Os gomos eram deitados na calda e ferviam até cozinhar. A casa toda rescendia a araticum e era nítido quem, naquela hora, pilotava o fogão.
Muito gostosa a fruta, muito gostoso o doce dela. Daqueles de família, outro cheirinho de infância.



















